Investimentos Financeiros

Quando analisamos Lucratividade e Rentabilidade de uma empresa, não se faz necessário realizar nenhum ajuste para refletir impactos inflacionários. Entende-se que os impactos inflacionários já estejam embutidos nos preços praticados e na estrutura de custos e despesas da organização/empresa, de tal forma que o Lucro Líquido já considera ou incorpora a inflação do período. Exceções cabem em casos de avaliações de empresas, onde alguns avaliadores optam por projetar os demonstrativos financeiros com base em modelos reais (moeda constante), ou seja, desconsiderando propositalmente os efeitos inflacionários.

Esta é a principal diferença ao aplicar os conceitos de Lucratividade e Rentabilidade na performance de empresas vs. investimentos financeiros. Enquanto que o resultado das empresas já considera a inflação, para analisar a performance das nossas carteiras de investimentos é muitas vezes necessário realizar este ajuste, de forma que possamos montar uma leitura adequada do resultado gerado pelos nossos investimentos.

COMPARANDO RENTABILIDADES E LUCRATIVIDADE

Para associar estes conceitos de análise empresarial aos Investimentos, podemos estabelecer como referência, para fins didáticos, que o patrimônio líquido da empresa é comparável ao capital aplicado pelo investidor, que a Receita Operacional Bruta é comparável a Renda total gerada pelo investimento (fluxos recebidos somados a variação do principal), e que o Lucro Líquido equivale à Renda Total subtraída de deduções e impostos.

Desta forma, fica fácil perceber a diferença entre Renatabilidade Bruta, Rentabilidade Líquida e Lucratividade de um Investimento Financeiro:

Rentabilidade Bruta: É o valor total dos juros gerados pelo investimento, antes do resgate;

Rentabilidade Líquida: Rentabilidade Bruta menos pagamento dos impostos relacionados e os respectivos custos de transação e administração, e;

Lucratividade: Rentabilidade Líquida descontada a inflação do período.

Todos os números acima devem ser divididos pelo capital inicial investido, ajustando o resultado para formato percentual.

ANALISANDO A PERFORMANCE DOS INVESTIMENTOS

Imaginemos um Investidor que investiu pelo período de um ano em um determinado título de renda fixa pré-fixado, e obteve “rentabilidade” de 15,00% ao ano. Vamos então analisar a performance deste investimento:

Rentabilidade Bruta: 15,00% ao ano;

Imposto de Renda: 17,50% sobre a renda. Considera 362 dias de aplicação, de acordo com tabela regressiva do Imposto de Renda;

Rentabilidade Líquida: 12,38% ao ano, (Rentabilidade Bruta menos Impostos, ou 15,00% menos 17,50% sobre os 15,00%);

Inflação do Período: 8,00% ao ano;

Lucratividade: 4,05% ao ano , (Rentabilidade líquida descontada a Inflação do período).

Aqui está a explicação porque muitos financistas condenam a Caderneta de Poupança no Brasil. A mesma apresenta Rentabilidades positivas (bruta e líquida), porém, não se mostrou Lucrativa em vários períodos em nosso histórico econômico recente.

Esta talvez seja uma das explicações porque investimentos ruins são tão bem aceitos em nosso país – uma vez que os bancos não apresentam o cálculo da lucratividade dos seus investimentos (ou retorno real), em casos como a Caderneta de Poupança onde os retornos nominais são sempre positivos, é impossível ter menos dinheiro no futuro do que a quantidade depositada no início da aplicação. Tem-se então, a sensação de enriquecimento.

A falha está em analisar apenas a Rentabilidade em suas operações. Quando consideramos a Inflação para calcular a Lucratividade de um determinado investimento financeiro, podemos nos deparar com investimentos que representam uma constante fonte de perda do poder de compra para seus titulares. Este fenômeno retrata o risco da ilusão monetária nos investimentos. Acontece sempre que há uma correção no valor, porém menor que a inflação do período. Conforme mencionado, o investidor tem a impressão que está enriquecendo, quando na verdade, não está.

EXEMPLO NA VIDA REAL - INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA

Seguindo o nosso exemplo, dada a representatividade do impacto inflacionário sob a performance dos nossos investimentos, percebe-se que pensar em Independência Financeira sem considerar os efeitos inflacionários é um erro capital, comumente cometido por iniciantes. Em outras palavras, afirmar que “se você recebe juros de R$ 10.000,00 e seu padrão de vida custa R$ 10.000,00, você conquistou independência financeira”, é um equívoco.

Lembro que esta análise trata apenas do retorno do investimento. Outros elementos são também extremamente relevantes na hora de avaliar a performance de um investimento, como segurança, risco e liquidez.

Finalmente, só existe uma maneira de conhecer a Rentabilidade e Lucratividade dos seus investimentos empresariais e financeiros: conhecendo seus números! Este é um processo importante e muitas vezes subvalorizado pelas pessoas. Empresas que conhecem seus números tomam decisões mais inteligentes, e o mesmo acontece na vida pessoal. Por mais simples que possa parecer, conhecer seus números é um dos alicerces da Educação Financeira.

E ai, qual a Rentabilidade e Lucratividade dos seus investimentos?

Mãos à obra!