Ter independência financeira e liberdade de escolhas é, sem dúvida, um sonho compartilhado pela maioria das pessoas. Até aqueles que não tem esse objetivo, quando apresentados à proposta, se convencem que é algo a ser conquistado e que, ter independência financeira é fantástico. O que fica no ar é a dúvida do que realmente isto significa – afinal de contas, quando é que eu sei que consegui essa tal independência? Essa confusão não acontece à toa. São muitos os termos utilizados pelos especialistas, como exemplo; empoderamento financeiro, autonomia financeira, liberdade financeira, autossuficiência financeira, e por ai vai. Tecnicamente, muitas destas definições tem significados diferentes, e assim sendo, iremos nos concentrar na discussão do mais popular destes conceitos.

O mais conhecido e talvez mais procurado é a independência financeira (“IF”). Para os mais jovens, representa a capacidade de arcar com seu padrão de vida sem depender financeiramente do suporte familiar, comumente patrocinado pelos pais. Porém, esta é uma etapa temporária e não é isso, na maioria das vezes, que as pessoas estão buscando.

A verdadeira independência financeira reside na capacidade de um indivíduo de financiar seu padrão de vida sem depender diretamente do seu esforço direto ou trabalho. Isso acontece quando temos uma coluna de ativos e bens que geram fluxos de renda passiva (dividendos, juros ou alugueis recebidos e similares) que suportam o nosso padrão de vida. É importante ressaltar que este volume de renda passiva precisa ser necessário para financiar o padrão de vida desejado, protegendo-o sempre da inflação. Veremos isto em detalhes na segunda estapa deste artigo.

Perceba que, uma vez que uma das variáveis para determinar a independência financeira é o seu padrão de vida (que financeiramente será representado por um custo mensal ou anual), a conquista da independência financeira é algo muito particular. Ou seja, um indivíduo pode conquistar independência financeira com uma renda passiva mensal de R$ 15.000,00, enquanto outro não. Ainda, o volume desejado de renda passiva das pessoas tende a mudar ao longo da vida. Aos 27 anos, conquistei autossuficiência financeira ao aplicar os conceitos necessários para empreender o dinheiro que passou pelas minhas mãos, sem qualquer recebimento de heranças ou doações. Contudo, é natural que a medida que eu tenha filhos, por exemplo, a minha necessidade de renda passiva seja maior, uma vez que o custo do meu padrão de vida deverá ser naturalmente mais elevado. Perceba que defendo que Independência Financeira é uma posição dinâmica, e não estática. Entender isto é fundamental para que, ao alcançá-la, você não a deixe escapar facilmente!

Bem, agora que sabemos, teoricamente, o que é independência financeira, vamos conhecer como calcular este número – afinal de contas, acredito que você quer alcançá-lo, não é mesmo?

O autor Robert Kiyosaki, em seu best seller Pai Rico, Pai Pobre, apresenta de forma bastante didática como, na prática, conquistamos independência financeira.

Considerando o recente histórico econômico da Brasil, faz-se necessário ajustes ao modelo proposto pelo Kiyosaki (especialmente, ajuste pela inflação como veremos abaixo). Alguns autores são mais conservadores em relação ao montante que precisamos acumular de renda passiva, porém, vou me ater ao valor mínimo necessário, a partir do qual, você já pode comemorar esta conquista. Segue a fórmula que representa este valor:

RP / (1+INF) = PV              

Onde:
 

RP: Renda Passiva Anual. Representada pelo fluxo de recebíveis que abastecem seu fluxo de caixa, líquido de impostos, sem que você precise trabalhar diretamente.

INF: Inflação Anual de Longo Prazo esperada. Ao adicionar o elemento inflacionário na equação, estamos assegurando a reposição da perda do poder de compra, de forma que sua qualidade de vida financeira seja preservada no futuro.

PV: Padrão de Vida Anual (atenção ao determinar o custo do seu padrão de vida – é comum fazermos a conta com base mensal. Neste caso, cuidado ao calcular seu custo anual e lembre-se que existem despesas mensais que são pagas uma vez ao ano, como por exemplo, despesas com impostos (IPTU, IPVA) e seguros.

 

Para a maioria dos investidores, saber exatamente a sua Renda Passiva Anual para os próximos doze meses não é tarefa fácil, uma vez que as carteiras de investimentos normalmente tem ativos de renda fixa pós-fixada e/ou ativos de renda variável. Assim, de acordo com a Fórmula para Independência Financeira, nós apenas poderíamos afirmar se estamos ou não, independentes financeiramente, com base no passado (ex:. últimos doze meses). Para solucionar este problema, você pode fazer uma adaptação à Fórmula, para ter uma estimativa da sua posição.
Neste caso:

Total de Ativos * (il -INF) >= PV   

Onde:
 

Total de Ativos: Valor em reais de todos os seus ivestimentos geradores de renda passiva. Atenção, um terreno que não esteja lhe entregando recebimentos periódicos em forma de alugueis, por exemplo, não deve ser considerado (inclusive, é provável que este terreno esteja consumindo dinheiro, através de IPTU e gastos com manutenção). O mesmo vale para veículo próprio.

il : Retorno médio ponderado da sua carteira, em termos anuais, líquido de impostos. Imagine que você tem 100% dos seus investimentos concentrados na Caderneta de Poupança. Assim, seu il  será de 6% a.a. + Taxa Referencial. Uma referência sempre será algo próximo a meta da Taxa Selic. Já que temos títulos públicos que remuneram o investidor de acordo com a variação da Taxa Selic, com baixíssimo risco, um investidor não deveria aceitar retornos inferiores à SELIC. Todavia, ao incluir ativos de maior risco, isto poderá acontecer.

INF: Inflação Anual de Longo Prazo esperada. Ao adicionar o elemento inflacionário na equação, estamos assegurando a reposição da perda do poder de compra, de forma que sua qualidade de vida financeira seja preservada. Caso o investidor pretenda consumir imediatamente os juros de suas aplicações sem qualquer outra fonte de renda ativa, recomenda-se, sob ponto de vista mais conservador, utilizar índice de inflação corrente invés da expectativa de longo prazo.

 

Vamos então imaginar qual o valor mínimo necessário que uma pessoa precisa ter, para se considerar independente financeiramente!

Neste exemplo, irei considerar que uma pessoa deseja ter um padrão de vida anual de R$ 48.000,00 (em média, R$ 4.000,00 mensais), e que toda a sua carteira esteja alocada em ativos que rendem, líquidos de impostos, 1,00% ao mês. A inflação de longo prazo considerada, neste exemplo, é de 0,41% ao mês. Já que o padrão de vida desejado é conhecido, precisaremos então encontrar qual o volume total de ativos geradores de renda passiva necessário, para conquistar independência, de acordo com as variáveis acima. Teremos então:

 

PV ÷  (il -INF)

Ou: R$ 4.000,0 ÷  (1,00%-0,41%) = R$ 675.005,66 

 

Naturalmente, o modelo acima é uma projeção. Por isso, é necessário acompanhar periodicamente a lucratividade da sua carteira de ativos (rentabilidade bruta menos impostos sobre renda, menos inflação). Ou seja, para manter um padrão de vida vida mensal de R$ 4.000,00, o investidor poderá precisar um total superior ou inferior a R$ 675mil, a depender da performance dos seus investimentos.

 

Mais uma vez – como estamos sujeitos a flutuações da lucratividade de muitos dos nossos investimentos (ver artigo sobre rentabilidade vs lucratividade), o ideal é que o montante de ativos na equação apresentada seja pouco superior ao mínimo necessário, afim de garantir e proteger a posição de “independencia financeira”.

 

Aqui faço uma consideração importante; desconsiderando casos de heranças, o total de ativos de um investidor nasce do processo de Poupança. Poupar representa, na maiorira das vezes um sacrifício, pois quando poupamos estamos trocando qualidade de vida no presente por qualidade de vida no futuro. Em função disto, concluo que a Estratégia Ótima de poupança para a Independência Financeira é aquela que minimiza a poupança ao nível mínimo que nos permita ter Qualidade de Vida Financeira. Ainda, na prática, pessoas que conquistam independência financeira, ao contrário do que se imagina, não param de trabalhar. Estas pessoas passam a trabalhar naquilo que tem verdadeira paixão, e, por sua vez, continuam tendo alguma fonte de renda ativa (salários, pró-labores, etc). Significa dizer que há uma tendência de se proteger, cada vez mais, a posição de independência financeira, já que normalmente não se consome toda a renda passiva em função da manutenção de uma fonte de renda ativa.

 

 

Material relacionado Sugerido:

Rentabilidade vs Lucratividade